Itaú BBA revisa projeção de Ibovespa de 152 mil pontos para 120 mil pontos no fim do ano


Perspectiva macro brasileira se deteriorou e os riscos fiscais também vêm aumentando, destaca a instituição financeira A deterioração do cenário macroeconômico brasileiro, em meio às expectativas negativas para o crescimento econômico, com taxas de juros e inflação mais altas, levou o Itaú BBA a revisar negativamente sua projeção para o Ibovespa no fim do ano, de 152 mil pontos para 120 mil pontos.

“A perspectiva macro brasileira se deteriorou. Conforme divulgado pela Pesquisa Focus, as expectativas de consenso para a Selic e a inflação vêm se deteriorando a cada semana. As expectativas de inflação para o fim de 2021 subiram para 8%, de 5,44% em junho, enquanto a Selic deve encerrar 2021 em 8%, de 5,75% em junho”, apontam os estrategistas do Itaú BBA.

Segundo eles, os riscos fiscais também vêm aumentando, dado o desafio crescente de conciliar o teto de gastos constitucional com a inflação mais alta, aumentos inesperados nas despesas relacionadas a precatórios e a pressão para expandir o Bolsa Família.

Citando riscos relacionados à crise hídrica, os profissionais da instituição anunciaram também que estão promovendo ajustes ao portfólio, removendo companhias de crescimento elevado (“growth”) e incluindo empresas mais defensivas.

“Nossa carteira de lista de ‘compra’ do Brasil estava apostando em uma forte recuperação do PIB local e que o Fed demoraria mais para iniciar o ciclo de alta. Ficamos mais negativos sobre a perspectiva macro do Brasil e agora estamos ajustando nosso portfólio”, afirmam, citando a retirada de Méliuz, Magazine Luiza e Bradesco do portfólio e a inclusão de Energisa, Eneva e Weg.

O relatório do Itaú BBA ainda aponta que houve uma saída massiva de recursos da China desde que o governo passou a intervir com mais força nos setores de tecnologia e educação. No entanto, esse fluxo foi redirecionado apenas em pequena parte para a América Latina e para o Brasil.

“Como resultado das saídas, a China perdeu peso no índice MSCI. De novembro de 2020 a setembro de 2021, a China perdeu 8,3 pontos percentuais, enquanto outros países asiáticos ganharam peso. Infelizmente, a América Latina absorveu apenas 0,6%, com o Brasil ganhando a maior parte destes fluxos. Vemos isso como esperado, considerando que o Brasil tem um peso maior no índice do que seus pares latino-americanos”, afirmam.

“Em nossa opinião, a deterioração das perspectivas macro, associada à volatilidade política, tornou os investidores menos inclinados a aumentar a exposição ao Brasil”, concluem.

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