Homens e idosos são mais suscetíveis a casos graves de covid-19, aponta estudo


Pesquisa deve ser usada como ponto de partida para testes de mensuração de probabilidade de óbito em pacientes com covid-19, segundo a Fiocruz Homens e idosos são mais suscetíveis a desenvolver casos mais graves de covid-19, segundo estudo sobre o tema. A pesquisa, liderada pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Helder Nakaya, contou com participação do pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Bahia, Bruno Bezerril.

Nesta segunda, a Fiocruz veiculou em seu site detalhes sobre o levantamento, feito para determinar a relação da idade, sexo e propensão à inflamação com quadros mais graves da doença, através de análise laboratorial, e que contou com mais de 178 mil pacientes, sendo 33 mil com diagnóstico confirmado de covid-19.

A pesquisa deve ser usada como ponto de partida para testes de mensuração de probabilidade de óbito em pacientes com covid-19, informou a Fiocruz.

De acordo com informações veiculadas pela Fiocruz o estudo, que também contou colaboração de outras instituições nacionais e internacionais, corrobora a visão de trabalhos anteriores, sobre o assunto. Em levantamentos pregressos sobre o mesmo assunto, a Fiocruz informou que foi constatado maior suscetibilidade de pessoas do sexo masculino a desenvolver forma grave da doença, bem como risco maior de morte e de complicações, por covid-19, para pessoas mais idosas. Mas, de acordo com a Fiocruz, no estudo foi a primeira vez que essas constatações foram apresentadas de maneira sistematizada, com análise de parâmetros laboratoriais de amostras de grande quantidade de pessoas em única pesquisa.

Pablo Jacob/Agência O Globo/Arquivo
De acordo com a Fiocruz, os autores do estudo detalharam que, por ser infecção multissistêmica, os pacientes com forma grave da covid-19 passam por processo chamado “tempestade de citocinas”, que é uma espécie de indicativo de descontrole da inflamação. Isso acontece quando o corpo perde a capacidade de parar esse processo. Uma hipótese levantada pelo estudo é de que pacientes mais idosos e do sexo masculino têm tendência a ter um descontrole maior da inflamação por conta dessa tempestade de citocinas, informou a Fiocruz.
Ainda de acordo com o levantamento, e de acordo com informações apuradas pela Fiocruz, homens e mulheres apresentaram alterações no sistema de coagulação e níveis mais elevados de neutrófilos, proteína C reativa, lactato desidrogenase, entre outros. Estas alterações foram substancialmente afetadas com aumento da idade — e o impacto da idade se mostrou mais relevante em homens do que em mulheres.

“No momento, o grupo de cientistas está trabalhando na expansão destes resultados para testar um ‘escore’ clínico laboratorial potencialmente capaz de predizer a probabilidade de óbito em pacientes com covid-19”, acrescentou a Fiocruz, em comunicado sobre tema.
Os resultados do estudo foram descritos em artigo publicado no International Journal of Infectious Diseases, acrescentou a Fiocruz.

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