Guedes faz “pedido desesperado” por precatórios; Fux brinca que “filho” não é dele


Ele participaram de evento promovido pelo Movimento Pessoas à Frente nesta quarta-feira Com uma conta de R$ 89 bilhões em precatórios (dívidas judiciais) a pagar e a intenção de ampliar o Bolsa Família em 2022, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez um “pedido desesperado de socorro” ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, por uma solução que caiba no Orçamento.
Guedes pede “ajuda” por precatórios e novo Bolsa Família
Ambos participaram de evento promovido pelo Movimento Pessoas à Frente na manhã desta quarta-feira. Guedes brincava com a própria condição. Pouco antes, havia se declarado um “passageiro da agonia” diante do imbróglio dos precatórios.
No mesmo tom, Fux havia dito que tinha ficado com menos tempo para sua fala, mas que isso foi bom, pois foi possível ouvir o “brilhantismo e a inteligência” do “amigo” Paulo Guedes. “Tão amigo que coloca no meu colo um filho que não é meu”, brincou.
O ministro da Economia respondeu que “é só um pedido desesperado de socorro” e que “de forma alguma” pretendia “depositar um filho ou a responsabilidade no seu colo”.
Fux ainda voltou a elogiá-lo, dizendo que Guedes “uma ideia por minuto”, “ideias magníficas em tempo recorde”, e afirmou que a ideia do diálogo institucional não é avessa ao STF. “Todos os Poderes devem, em prol da governabilidade, promover reuniões.”
Disse também que o STF não faz análise prévia de constitucionalidade e lembrou que existe o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que, além de atuar na apuração disciplinar do Judiciário, estabelece políticas públicas em áreas como direitos humanos, meio ambiente, violência doméstica e obras públicas.
Ele não disse diretamente, mas uma das soluções para a questão dos precatórios, cujo pagamento o governo pretende parcelar, passa pela mediação do CNJ.
A grande queixa em relação ao Judiciário sempre foi a morosidade, comentou. “Judiciário eficiente é que aquele concede prestação da Justiça em prazo razoável”. A morosidade, segundo Fux, é decorrente de excesso de formalidade e falta de simplificação do próprio Direito.
“O Poder Judiciário tem de devolver às instâncias próprias aquilo que se joga no seu colo indevidamente”, disse. “O Poder Judiciário não é um Poder que atue segundo as estratégias políticas.” Pelo contrário, é o Poder que tem a prerrogativa de rever a decisão dos demais, acrescentou.
Ao encerrar sua participação no evento, o presidente do STF afirmou sua confiança na democracia. “Acreditamos na democracia brasileira, estamos em um mar revolto, mas tenho certeza de que estamos muito mais perto do porto do que do naufrágio.”
Luiz Fux
Nelson Jr./STF

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