Dólar e juros futuros têm queda com exterior e dados da China em foco


Investidores acompanham também as oscilações nos preços das matérias-primas O dólar e os juros futuros abriram a sessão desta quarta-feira em queda moderada. Os agentes de mercado mantêm os dados de atividade mais fracos do que o esperado na China em foco, com o reforço da perspectiva de perda de vigor da segunda maior economia do mundo.

Às 9h55, o dólar comercial recuava 0,17%, saindo a R$ 5,2489 no mercado de câmbio à vista. Deste modo, o real se alinhava à tendência disseminada entre moedas emergentes pares.

No mercado de juros, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 caía de 7,01% no ajuste anterior para 6,995%; e a do DI para janeiro de 2023 passava de 8,86% para 8,85%. Nos trechos de maior prazo, o juro do contrato para janeiro de 2025 tinha queda de 10,04% para 9,99%, enquanto o do DI para janeiro de 2027 tinha baixa de 10,47% para 10,41%.

A Renascença DTVM nota que o desempenho favorável de alguns ativos de risco, como matérias-primas e divisas de países emergentes, nesta manhã ajuda no bom humor do mercado local de juros.

“Na cena global, os dados mais relevantes divulgados pela China na noite de ontem mostraram não só forte desaceleração, como também leituras abaixo das expectativas, sugerindo que o gigante asiático vem num processo de perda de dinamismo econômico mais relevante que o antecipado”, diz a instituição, citando este como outro fator que favorece a queda para os juros locais hoje.

As preocupações sobre uma desaceleração cíclica da atividade global vêm se somando aos impactos gerados pelos surtos da variante delta da covid-19, e, nesse sentido, o caso da China se destaca. A atividade econômica chinesa esfriou ainda mais no mês de agosto, com a produção industrial avançando 5,3% na margem, abaixo dos 5,6% esperados e recuando dos 6,4% de julho. Enquanto isso, as vendas no varejo desaceleraram fortemente de 8,5% para 2,5% na comparação mensal.

“A covid-19 levou a um crescimento inesperadamente fraco nas vendas no varejo, enquanto a escassez de chips continua a pressionar o investimento em automóveis, a produção e as vendas. As políticas governamentais estão adicionando ainda mais estresse à economia [chinesa]”, diz Iris Pang, economista-chefe para China do ING Financial Markets.

A instituição financeira está considerando cortar a sua projeção de crescimento de PIB da China em 2021 — atualmente, a perspectiva é de uma expansão de 8,9%. “Além deste conjunto de dados fracos, as exportações devem diminuir devido à covid nos mercados de exportação e aos altos custos de frete”, avalia Pang.

Na agenda de indicadores do dia, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) desacelerou de 0,92% junho (dado revisado de alta de 1,14%) para 0,6% em julho, registrando desempenho melhor do que o antecipado pelo mercado. A mediana de 24 estimativas de consultorias e instituições financeiras reunidas pelo Valor Data era de 0,30%. Na base anual, o IBC-Br subiu 5,53%. A publicação dos dados também acontece em meio a crescentes temores de uma situação de estagflação no Brasil.

Diante do aumento de preocupações sobre a atividade global, os investidores também ficam atentos aos dados de atividade econômica dos Estados Unidos, que serão conhecidos ainda nesta manhã e devem ser entendidos como importantes catalisadores para os mercados, observa a Renascença. O Federal Reserve (Fed) de Nova York informou que o Índice Empire State de atividade industrial subiu a 34,3 pontos em setembro, ante consenso de 17,5.

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