Bolsonaro quer desobrigar uso de máscara para quem foi vacinado ou contraiu covid


Em evento no Planalto, o presidente afirmou que o Ministério da Saúde finaliza um parecer nesse sentido O presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje que o Ministério da Saúde irá emitir parecer para desobrigar o uso de máscara para quem foi vacinado ou já contraiu o vírus. Contrariando recomendações de especialistas em saúde, o presidente afirmou que a máscara somente tem utilidade “para quem está infectado”.

A afirmação ocorre no momento em que o país ser aproxima da marca de 500 mil mortes por covid-19. E ignora o consenso científico de que pessoas já vacinadas podem contrair o vírus, desenvolver formas mais leves da doença e infectar quem ainda não foi imunizado.

“Acabei de conversar com o Queiroga, ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estão vacinados ou já foram contaminados. Para tirar este símbolo que obviamente tem a sua utilidade para quem está infectado”, afirmou o presidente, durante evento no Palácio do Planalto.

PABLO JACOB/Agência O Globo

Procurado, o Ministério da Saúde ainda não havia se pronunciado até a publicação dessa matéria.

Na linha do que tem defendido desde o início da pandemia, Bolsonaro criticou medidas de isolamento social, adotadas na maioria dos países desenvolvidos como forma de frear o avanço do vírus, e discursou a favor de medicamentos sem eficácia contra a doença.

“A quarentena é para quem está infectado, não é para todo mundo, porque isso destrói empregos”, argumentou.

Bolsonaro, que defendeu a imunidade de rebanho e desprezou previsões sobre o patamar de mortes que o Brasil já alcançou, também utilizou o discurso para exaltar a sua gestão da pandemia, citando como referência seu ex-assessor Arthur Weintraub, apontado na CPI da Covid como um dos conselheiros de um gabinete paralelo sobre a crise sanitária. “Não errei uma [ação] sequer”, frisou.

Sem apresentar provas, Bolsonaro voltou a citar informações sobre superestimativa de óbitos por covid, que foram desmentidas pelo Tribunal de Contas da União.

Eleições Peruanas
Ao comentar as eleições no Peru, Bolsonaro classificou como “esquisita” a apuração de votos, onde o esquerdista Pedro Castillo tem estreita vantagem sobre sua adversária, a direitista Keiko Fujimori. O pleito realizado no último domingo, com cédulas de papel, ainda não teve resultado final divulgado, mas são remotas as chances de uma reviravolta.
“Estamos acompanhando a eleição no Peru, não pode, é uma coisa esquisita, em alguns países da América do Sul a eleição é decidida no photocharger”, afirmou Bolsonaro, fazendo referência ao recurso comumente utilizado em corridas de cavalo para definir o vencedor em disputadas acirradas. “Esquisito, parece que nos computadores têm uma trava”, complementou.
Fujimori, que tem a preferência de Bolsonaro, reclamou de fraudes na disputa, mas observadores internacionais que acompanham o pleito relataram não haver indícios de irregularidades.

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