Bolsonaro diz que “inventaram” orçamento secreto e que seu governo tem “zero corrupção”


“O Estado de S. Paulo” mostrou que governo montou esquema bilionário de compra de apoio O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira que “inventaram” que o governo federal tem um orçamento secreto, em referência a reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”. Em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília, ele xingou os autores da matéria e afirmou que seu governo tem “zero corrupção”.
Sem máscara, Bolsonaro tossiu por duas vezes, com a mão na boca, e depois abraçou uma criança.
Questionado por uma fã sobre como ele “aguenta” as críticas de que é alvo, respondeu: “É todo dia. Eu faço um churrasco aqui, eu apanho. Inventaram que eu tenho um orçamento secreto agora. Eu tenho um reservatório secreto de leite condensado, três milhões de latas. Isso é sinal que eles não têm o que falar. Pega o Orçamento. Foi aprovado, discutido meses e agora apareceu R$ 3 bilhões. É só canalhas para escrever isso daí.”
Jair Bolsonaro
Fernando Frazão/Agência Brasil
No domingo, “O Estado de S. Paulo” mostrou que o Ministério do Desenvolvimento Regional montou um esquema de compra de apoio parlamentar ao presidente. Documentos publicados pela reportagem mostram que a pasta controlava o posicionamento de cada parlamentar e liberava emendas, de forma irregular, em troca de apoio ao governo. A estrutura teria movimentado R$ 3 bilhões de dinheiro público.
“Batem na tecla de corrupção o tempo todo. Zero corrupção no meu governo”, respondeu Bolsonaro.
Ele aproveitou a claque para dizer que comparecerá a atos em apoio a ele mesmo, marcados para o próximo sábado, em Brasília. “Vou chegar a cavalo lá”, disse a uma apoiadora que passava a ele dados sobre as manifestações. “Vou lá conversar com vocês lá. O agronegócio, às 15 horas eu vou estar com eles. Vamos trabalhar sábado, pessoal”, continuou, dirigindo-se à equipe de seguranças que o acompanhava.
Bolsonaro ainda comentou as faixas pedindo “intervenção militar” em atos de apoiadores dele. “Pra que intervenção militar se eu já sou presidente? Sou capitão do Exército. É a esquerda que faz essa faixa. Só pode ser.” Em seguida, ele disse que há lugares que precisam é de “uma intervenção civil”, sem explicar a que se referia.
Assim que encontrou os apoiadores, o presidente afirmou, erroneamente, que “hoje uma comissão da Câmara vota a liberação da maconha”. “Vai ter um veto [presidencial] depois. Um país com tanto problema, o cara dispendendo força pra votar uma porcaria de um projeto desses.”
O projeto de lei (PL) a que o presidente fez referência trata, na verdade, da regulamentação para o uso de derivados da cannabis para fins medicinais, industriais e científicos. O texto veta o uso da planta para cigarros ou chás, por exemplo. O PL será analisado dia 17 em comissão especial da Câmara dos Deputados – e não hoje, como falou Bolsonaro.

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