Bolsonaro admite ter pressionado médico que pregou cautela com cloroquina


Ele ainda voltou a provocar Renan Calheiros, relator da CPI da Covid O presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje que já perdeu parentes e amigos para a covid-19, mas que a doença precisa ser “enfrentada”. Durante evento em Mato Grosso do Sul em que entregou títulos rurais a pequenos produtores, ele voltou a defender o uso de hidroxicloroquina, medicamento que não é eficaz para tratamento da doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). E revelou ter ameaçado o médico que o atendeu quando contraiu o vírus diante da recomendação de que esperasse o resultado do exame antes de se medicar.

“Eu, quando senti o problema, chamei o meu médico e ele falou: ‘você está com todos os sintomas’. Peguei a caixinha de cloroquina e ele falou para esperar um pouquinho mais. Eu falei, você quer voltar para a tropa ou quer que eu tome cloroquina agora? A saúde é minha!”.

Ele criticou as restrições de atividades impostas por governadores e prefeitos, adotadas pelos principais líderes mundiais. Para Bolsonaro, “lockdown não têm comprovação científica” sobre seus efeitos. Na verdade, epidemiologistas de todo o mundo já explicaram os benefícios do distanciamento social e o uso de máscara para a contenção do vírus.

Sob gritos de “fora Renan” entoados pela plateia de convidados, Bolsonaro fez novas críticas à CPI da Covid e seu relator, o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

“Agora fazem uma CPI com aquela composição que… puxa vida! E o crápula ainda diz: ‘esta CPI não é para investigar desvio de recursos’. Se for para investigar o governo vai perder tempo, agora se for para alguns Estados…”, provocou Bolsonaro. O filho de Calheiros é governador de Alagoas.

Ameaça a governadores
Mais cedo, em mais uma ameaça a governadores e prefeitos, Bolsonaro voltou a criticar medidas restritivas e afirmou já deu o seu “recado” e que “daqui para frente” vai “agir”. As últimas falas de Bolsonaro sobre o tema, contudo, não tiveram efeito prático.
Na semana passada, ele afirmou que poderia editar um decreto contra essas medidas restritivas, mas isso ainda não ocorreu. Bolsonaro também falou no mês passado na possibilidade de utilizar as Forças Armadas para isso, o que também não se concretizou até agora. A declaração desta sexta-feira ocorreu quando apoiadores, em conversa no Palácio da Alvorada, reclamaram de determinadas medidas tomadas por governadores e prefeitos.
Diversos Estados e municípios adotaram medidas de restrição de circulação para conter a covid-19, que já matou mais de 430 mil pessoas no Brasil. Bolsonaro é contra essas medidas por causa de seus efeitos econômicos. “Eu não fechei nada. O meu Exército só vai para a rua para manter a liberdade de vocês, jamais para mantê-los dentro de casa. Eu respondo pelos meus atos. Agora, se governadores, prefeitos, estão na contramão…”, disse o presidente, acrescentando depois: “Pessoal, já dei o recado. Daqui para frente eu vou agir”.
Bolsonaro tem feito várias declarações desse tipo nas última semanas, mas ainda não tomou nenhuma medida prática. No dia 14 de abril, afirmou que esperava uma “sinalização” do povo para tomar “providência”. No dia 23 daquele mês, falou que poderia empregar as Forças Armadas para garantir o respeito a trechos da Constituição que, segundo ele, estão sendo descumpridos.
No dia 26 de abril, o presidente disse que estava “chegando a hora” do Brasil dar um “grito de independência” contra “pseudogovernadores”. Em 5 de maio, afirmou que poderia editar um decreto para garantir o que ele chamou de “direito de ir e vir”. Dois dias depois, disse que o decreto já estava pronto. Até agora, no entanto, o texto não foi publicado.
Bolsonaro
Alan Santos/PR

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