Agricultura conectada: presente e futuro das lavouras

O que já existe de tecnologia na agricultura e está sendo usado no campo? O que está por vir? Durante o III Simpósio Agroestratégico, organizado pela Aprosoja-MT em parceria com a Fundação MT, especialistas do setor apresentaram ferramentas que são o presente e o futuro da atividade.

Não é mais caso de futurologia – “Hoje, como o produtor que decide plantar uma determinada variedade de soja faz para reduzir seu risco de exposição ao clima? Ele faz um mix de produtos de maturação”, afirma Leonardo Sologuren, da Horizon Company. De olho em novas tecnologias, ele acredita que, em breve, isso pode mudar. O caminho é monitorar mais de perto mudanças de temperatura, umidade, pluviosidade e promover cruzamentos de dados. “Nos Estados Unidos, a empresa Climate, que pertence à Monsanto, por exemplo, tem 10 mil estações climáticas, então, imagine o que é possível fazer com algoritmos que começam a olhar para a previsão de longo prazo e cruzar isso com a maturação”, afirma.

No Brasil, alguns dados são animadores. Segundo Daniel Latorraca, do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), 41% dos produtores do Estado fazem uso da agricultura de precisão. “Mas para seguir avançando é preciso saber computar isso e integrar os dados depois. Nessa revolução, o produtor precisará da ajuda de profissionais estatísticos ou analistas de dados dentro da propriedade”, diz.

Modelos para uso eficiente de recursos hídricos, segundo Sologuren, já existem. É o caso da eficiência no uso do monitoramento climático não mais por Estado ou cidade, mas por propriedade. “Isso leva a uma tomada de decisões de acordo com as condições climáticas esperadas por cada produtor”. Outra novidade são algoritmos que alertam sobre a presença de pragas e doenças no campo. “Na verdade, nós temos esse tipo de informação, mas ela é jogada fora todos os dias. A ideia é que com o uso da tecnologia, do Big Data, cada vez que eu veja uma praga num talhão ou faça a aplicação de um agroquímico, isso fique registrado”. Embora ferramentas com essa funcionalidade estejam no mercado, Sologuren argumenta que nos próximos anos é esperado que elas melhorem absurdamente.



Sérgio Abud, da Embrapa Cerrados, defendeu também durante o evento a importância da melhoria da qualidade das sementes, da eficiência de cada planta na lavoura e do manejo integrado de pragas, doenças e ervas daninhas para o desenvolvimento da agricultura. Segundo ele, a produção depende do potencial genético que as variedades de plantas conseguem expressar, subtraído dele o estresse a que são submetidas.

Como chegar lá – Cada um em sua área, os especialistas enxergam longe e além do plano da lavoura. “Estamos começando a ver o acompanhamento real da agricultura por constelações de satélites. A Nasa já tem tecnologia que permite acompanhar a evolução da agricultura em propriedades rurais do Brasil a cada 15 dias; e empresas menores estão lançando mini-satélites com capacidade de resolução altíssima e condições de fazer atualização minuto a minuto”, disse Sologuren.

Para Daniel Latorraca, sem acesso à informação, boas práticas de manejo e treinamento pouco poderemos avançar. “Conhecimento e produção são as variáveis-chave”, afirmou.

Sologuren lembrou ainda do potencial de redes colaborativas para o intercâmbio de informações. Falando dos Estados Unidos, deu o exemplo da rede Farm Business Network. “Essa é uma rede que apresenta a um produtor que chega e quer plantar no estado de Ilinois, por exemplo, informações sobre variedade com melhor desempenho na região de acordo com o tipo de solo, velocidade de plantio que deve ser usada para obter maior produtividade, regimes de chuvas previstos etc”.

No Brasil, espera-se que a revolução na agricultura continue acontecendo também com o impulso de novas startups. “O grande desafio justamente é lidar com o Big Data”, completou Sologuren.

Fonte: Portal DBO



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